Relativamente nova, a musicoterapia é definida de acordo com a Federação Mundial de Musicoterapia, como a utilização da música e/ou seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, num processo para facilitar e promover a comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A arte de fazer música é uma prática muito antiga, tanto quanto a agricultura. Há mais de 35 mil anos já existiam instrumentos de percussão, flautas e harpas. A música, assim como a linguagem, sempre fez parte de todas as culturas. Uma das hipóteses lançada para explicar a importância social da música é que ela garante a coesão social e a "sincronização" do humor. Há pesquisadores de diversas áreas que acreditam que a música ajuda na organização da vida comunitária e no estabelecimento de relações.
Os efeitos fisiológicos dos elementos sonoro-rítmicos-musicais podem ocorrer como reações sensoriais, hormonais e fisiomotoras, e como efeitos psíquicos podem desencadear descargas emocionais em graus variáveis, dependendo do indivíduo, levando-o a se expressar perante os sons e músicas apresentados ou executados que podem alterar seu comportamento e modos de interação como o mundo que o cerca. A música como recurso terapêutico pode ser empregada nos diversos tipos de Distúrbios de Conduta Infantil e Adolescente (tais como hiperatividade, timidez, distúrbios alimentares, do sono e sexuais, dentre outros), na saúde mental (tais como stress, autismo, esquizofrenia, fobias, síndrome do pânico) e nas deficiências físicas, mentais, visuais e auditivas.
A música como função cerebral continua sendo pesquisada por neurobiólogos, musicoterapeutas, psicólogos, musicólogos e outros profissionais de áreas afins, os quais já começam a obter resultados que comprovam os benefícios do estudo da música e do prazer em fazer ou ouvir música.
A experiência musical evoca lembranças e também produz reações fisiológicas, as quais parecem depender do conteúdo emocional. Pesquisas apontam que o medo e a alegria suscitam uma forte reação cutânea (sudorese) e agitação provocada pelo andamento rápido e pela forte dinâmica musical, ao passo que trechos mais lentos e menos dinâmicos, que exprimem tristeza e serenidade, não produz reações cutâneas. Um estudo realizado por Isabelle Peretz, do laboratório de Neruropsicologia da Música e da Cognição Auditiva da Universidade de Montreal, apontou que desde cedo as crianças identificam os índices emocionais na estrutura musical, e sua percepção desses índices aumenta durante o desenvolvimento. De acordo com este estudo, nas reações emocionais (medo, alegria, tristeza, por exemplo), o sistema nervoso central reage com aceleração dos batimentos cardíacos ou aumento da transpiração, o que se detecta verificando-se a corrente elétrica sobre a pele. Ao medir a corrente de ouvintes solicitados a avaliar se os trechos de música exprimiam medo, alegria, tristeza ou serenidade, descobriu-se que, para os trechos de medo e de alegria, essa reação era mais forte que para trechos que exprimiam tristeza ou serenidade.
Todos podem se beneficiar da musicoterapia, não sendo necessário que esteja familiarizado com os instrumentos musicais e nem que saibam tocá-los.
Saiba mais:
BRUSCIA, Keneth E. Definindo Musicoterapia. 2. ed. Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.
Revista Mente&Cérebro, ed. Especial nº17.
Site da União Brasileira das Associações de Musicoterapia: www.ubam.mus.br
Mary Elly Negrão é musicoterapeuta, com consultório em Ribeirão Preto, professora da Escola Harmonia Ensino Musical e está concluindo o curso de psicologia no final deste ano. maryelly@yahoo.com.br